No placar da saúde, os benefícios da prática esportiva são incomparavelmente maiores que os riscos. Mas estes existem e podem ser evitados com cuidados simples.


A busca de uma vida mais saudável, um corpo mais atraente ou simplesmente o espírito esportivo contagiado por eventos como a Copa do Mundo têm feito crescer o número de pessoas que praticam esportes e atividades físicas. É um fato muito positivo. Estudos nas mais diversas áreas da medicina atestam seus efeitos favoráveis para a saúde. Mas os consultórios também estão repletos de exemplos dos riscos a que estão expostos atletas – iniciantes ou veteranos, habituais ou esporádicos – que não respeitam seus limites, ignoram problemas físicos ou não observam cuidados básicos como boa alimentação, necessário, suporte médico.
Aí, em vez de benefícios, o esporte pode trazer problemas de torções, distensões, tendinites, dores, fadigas musculares e até doenças mais graves, como as cardiovasculares e as hérnias de disco.
Para garantir a relação entre esporte e saúde é necessário que a pessoa faça uma análise de seu perfil e verifique se a atividade esportiva, o ritmo e a intensidade são adequados. Um sedentário não vira um atleta de uma hora para outra. Um obeso vai se beneficiar do exercício físico, mas terá de fazer a escolha certa, pois o excesso de peso favorece lesões nos músculos e articulações.
Mesmo quem já pratica exercícios não pode alçar voos maiores sem estar preparado. Quem corre alguns quilômetros, por exemplo, tem de se preparar por meses se decidir que quer encarar uma maratona. Outro erro grave é compensar a semana de sedentarismo suando a camisa no sábado e domingo. Nesses casos, é melhor trocar a corrida por uma caminhada.
O limite do esforço físico pode ter medido de maneira simples: a capacidade de falar durante sua execução. Se a fala estiver entrecortada, é hora de parar. Além disso, treinamento exige descanso para que o corpo se recupere. O correto é que os exercícios sejam progressivos, regulares e acompanhados de alongamento. Para iniciantes, a American Heart Association e o American College of Sports Medicine sugerem 30 minutos de atividade moderada, 5 vezes por semana. Para uma avaliação preliminar, há testes que podem auxiliar, como PAR-Q (Physical Activity Readiness Questionnarie), com perguntas simples, que orientam sobre a eventual necessidade de avaliação médica mais rigorosa. Testes ergométricos são indicados pela Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte para homens com mais de 35 anos, mulheres com mais de 45 e pessoas que se dedicam a atividades de maior esforço. Aterosclerose, hipertensão e arritmias, dentre outras, demandam orientação médica específica.
Mas esporte combina mesmo é com saúde. Entre as pessoas que praticam atividade física regular é menor a incidência de doenças cardiovasculares , hipertensão, acidente vascular cerebral, câncer de cólon, mama, próstata, pulmão etc. Os males do sedentarismo superam, e muito, eventuais complicações advindas da prática esportiva. Portanto, o melhor é adotar os cuidados básicos e aproveitar tudo de bom que o esporte e a atividade física proporcionam.