
:: O fim do corredor da morte
Patologias que sobressaem nos
olhos dos ovinos
Ferrer, L.M. ; Ramos, J.J. ;
Pérez, M. ; Figueras, L. ; Lacasta, D. e Ortín, A.
Algumas patologias estão
relacionadas com os órgãos visuais dos animais e com a etiopatogenia, ou
seja, a causa e evolução da doença. Em alguns casos, essas complicações
levam os pequenos ruminantes, que deveriam ser explorados
comercialmente, ao descarte.
Os olhos são o “espelho” da saúde
do animal e seu estado reflete um bem-estar maior e melhores rendimentos
dos animais. Os problemas mais visíveis e fáceis de diagnosticar,
relacionados com a visão, são os que afetam as estruturas externas, como
as pálpebras ou a córnea. Os mais complexos envolvem a retina e
estruturas nervosas.
A patologia ocular nos ovinos, com
exceção das ceratoconjuntivites infecciosas, está em segundo, terceiro,
ou quarto plano na clínica e nos compêndios de patologia ovina. É muito
freqüente, no entanto, diagnosticar problema de saúde através dos olhos
dos pequenos ruminantes e o objetivo, aqui, é identificar aqueles
adquiridos no campo ou, ainda, aqueles que foram remetidos para a
faculdade de veterinária de Zaragoza, na Espanha, para serem estudados.
Muitos dos casos diagnosticados
eram problemas secundários no quadro patológico do animal e outros
tinham relação com a doença estudada. Em outros casos, o processo ocular
era decisivo para o desfecho ou sacrifício do animal.
O procedimento de exploração a
seguir é padronizado e, em todo o processo, é conveniente seguir o mesmo
protocolo de trabalho, mesmo que, ás vezes, em nível de campo, resulte
em difícil desenvolvimento. O exame oftalmológico é composto de:
• Anamnese;
• Exame à distância;
• Avaliação rápida da visão;
• Exame em proximidade;
• Provas complementares.
Somente nos processos mais
complicados foi necessário material específico para realizar a
exploração nos animais.
As alterações dos reflexos podem
acontecer por afecções dos diferentes nervos implicados na sensibilidade
e nos movimentos oculares, como inflamações do sistema nervoso central (SNC),
cervicais e faciais em relação aos problemas de otites, traumatismos,
doenças do pescoço, etc.
Patologias mais freqüentes
Cegueira de origem central – A
perda da visão está relacionada a doenças infecciosas ou parasitárias,
metabólicas, tóxicas, hereditárias e traumáticas. A cegueira é uma
conseqüência de lesões nas estruturas nervosas do SNC relacionadas com a
visão e podem ser observadas em botulismo, enterotoxemia, tétano,
listeriose, toxoplasmose, cenurose, abscessos cerebrais,
meningoemcefalite, toxemia de gestação, intoxicação por chumbo,
mercúrio, sal. Phalaris, Astragalus, etc.
Ectima ou dermatite pustulenta
contagiosa – Originada por um Poxvirus.
Poxvirus são vírus da família
poxviridae que têm como principal característica a capacidade de
infectar tanto os animais vertebrados como também os invertebrados. (wikipedia)
Blefarodermatite de origem
parasitária – Os ácaros, piolhos, carrapatos e moscas são ectoparasitas
que causam dermatites primárias e secundárias, em diferentes pontos do
corpo, oriundas do ato coçar. A sarna sarcoóptica pode ocasionar uma
dermatite com engrossamento da pele, crostas e alopecia (perda
temporária de definitiva, senil ou prematura, total ou parcial, de pêlos
ou cabelos) na cara e nas pálpebras. O prurido estimula o ato de coçar.
Fotossensibilização - Aparece em
áreas da pele não pigmentadas e produz dermatite aguda com edema,
eritema, necrose e fotofobia. A fotossensibilização pode ser primária e
causada pelo consumo de plantas, como Hypericum perforatum, Fagopyrum
esculemtum, ou secundária, por difusão hepática e acumulação de
filoeritrina devido à ingestão de toxinas vegetais (Lantana camara,
Semecio jacobaeum, Erodium cicutarium), micotoxinas (esporidesmina
produzida por Pithomyces chartarum), medicamentos hepatotóxicos,
produtos químicos e outros.
Entropion – As pálpebras dobram
para dentro, quase sempre a pálpebra inferior. É muito incômodo, pois os
cílios esfregam-se constantemente contra a córnea. Normalmente, é
causado através de fatores genéticos e pode ser congênito. Costuma ser
bilateral e pode afetar até 80% dos cordeiros. O adquirido pode ser
conseqüência de traumatismos, enoftalmia ou espástico, seqüela de uma
doença da córnea ou conjuval. O entropion secundário é uma conseqüência
da irritação da córnea e conjuntiva pelas pestanas, pêlos ou lã facial,
apresentando epífora, blefarismo ou blefarospasmo, olho vermelho,
fotofobia, queratite, úlcera, uveíte, endoftalmite e inclusive perda de
visão.
Conjuntivite – É a inflamação das
conjuntivas originada por causas químicas ou físicas (poeira, amoníaco,
pêlos), viral, bacteriana ou parasitárias.
Icterícia – As conjuntivas tomam
um aspecto amarelado pelo excesso de bilirrubina. Está relacionada com
processos de hemólise intravascular em doenças infecciosas (enterotoxemia
tipo A, leptospirose) parasitárias (anaplasmose, esperitrozoonose,
babesíase, tripanossomíase ou theileriose), tóxicas (cobre, Brassica,
etc.), assim como em doenças hepáticas.
Glaucoma – Causado por um forte
aumento da pressão intra-ocular que resulta no endurecimento do olho,
atrofia da retina, degeneração do disco óptico e cegueira. O Glaucoma
geralmente é secundário a doenças inflamatórias (ceratouveíte ou
endoftalmite) que comprometem o fluxo do humor aquoso. Em outros casos,
o glaucoma acontece devido aos defeitos no ângulo de filtração
esclerocorneal, normalmente de origem congênita.
Exofalmia – O olho torna-se mais
proeminente. Uma das causas do exoftalmo/estrabismo unilateral são as
afecções retrobulbares devidas à celulite orbitária, ou seja feridas
provocadas por punção, sinusite frontal crônica, actinobacilose ou
neoplasias. No tétano, a contração dos músculos oculares extrínsecos
resulta num globo ocular imóvel com exoftalmos e retração das pálpebras.
Ceratoconjuntivite de origem
contagiosa – Causada por diferentes agentes infecciosos, incluindo o
vírus as Rinotraqueíte infecciosa Bovina. Entre os ais freqüentes
destacam-se Chlamydophila abortus, Ch. Pecorum, Mycoplasma conjuntiva e
M. agalactiae. Também foram descritas ceratoconjuntivites causadas por
M.arginini, M. ovipneumoniae, Acholeplasma oculi, Colesiota conjuntivae
(Rickettsia conjuntivae), Branhamella ovis, Moraxella, Listeria
monocytogemes, Pseudomonas pseudomanlei ( melioidose), Staphilococcus,
Streptococcus, Proteus.
Úlceras – São lesões na córnea com
perda de epitélio, geralmente, de origem traumática. Apresenta
fotofobia, epífora, dor e blefarospasmo. Muitas vezes coincide com
ceratite ulcerativa.
Sinequias da íris – Podem ser
anteriores (íris e endotélio corneal) ou posteriores (íris e cara
anterior do cristalino). São causadas por processos inflamatórios da
évea, conjunto da íris, membrana coróide e processos ciliares.
Catarata ou opacidade do
cristalino – Pode ser unilateral ou bilateral, total ou parcial,
primária ou secundária, e de origem congênita (descrito em ovelhas da
raça romney, na nova Zelândia, e em relação com a doença de Border),
senil, pós traumático ou metabólico. As mais freqüentes são as
secundárias à uveite, que tem como conseqüência uma produção anormal do
humor aquoso e chega a comprometer a nutrição da lente.
Luxação e subluxação –
Deslocamento do cristalino, total ou parcial, respectivamente. É
caracterizada pelo aparecimento de uma figura, em forma de meia-lua e
costuma acontecer em olhos buftálmicos com glaucoma.
Elevações retinais –
Caracterizam-se por acumulação de secreções entre os receptores e o
eptélio pigmentado da retina. No humor vítreo observa-se uma estrutura
móvel (desprendimento da retina).
Ferrer, L.M. ; Ramos, J.J. ;
Pérez, M. ; Figueras, L. ; Lacasta, D. e Ortín, A. são especialistas da
faculdade de veterinária de Zaragoza
Fonte: O Berro - Abril de 2008 n° 110
