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 10 respostas que os produtores de suínos devem saber


1 Por que é tão importante esse agente chamado Mycoplasma hyopneumoniae (Mhyo.)?

Quando um suíno está contaminado unicamente com Mhyo. sofrerá um retardo de ganho de peso e piorará sua conversão alimentaria dependendo da duração da infecção e do grau de comprometimento pulmonar. Porém, o mais freqüente é os suínos apresentarem outras infecções concomitantes, tanto bacterianas quanto virais.

Como o Mhyo. deprime e retarda a resposta imunológica pulmonar, o seu principal papel é o de “amplificar”, aumentado a severidade da expressão patológica de outros patógenos, tais como Circovirus (Enfermidades PCV2 Associadas), Influenza, Pasteurelose etc. Por exemplo, a doutora Eillen Thacker (lowa State University), num dos seus trabalhos, demonstrou claramente o que é Mhyo.. E que aumenta a severidade de PRRS e não vice-versa.

2 Não é possível erradicar o Micoplasma da Granja?

A erradicação de Mhyo. é quase impossível. Essa pequeniníssima bateria coloniza as cílias das células epiteliais do trato respiratório, que é como dizer, exemplificando, que “gruda nos pelos de um braço” ou seja, reside “fora” do organismo. Nesta localização, consegue burlar uma boa parte das medicações e da resposta imunológica do suíno. Contudo, devido à combinações de programas terapêuticos e vacinais, pode-se alcançar uma marcada redução da sua incidência, melhorando muito o rendimento produtivo e a saúde do gado suíno.

3 Não se poderia usar medicamentos com antibióticos para controlá-los?

A experiência mundial tem demonstrado que não. Hoje em dia, todas as grandes empresas suínas do mundo que têm estritos controles produtivos e econômicos vacinam contra Mhyo. porque tem visto que a rentabilidade de vacina é positiva. Além de vacinar, muitas delas ocasionalmente, devem medicar como complemento ao programa vacinal. Se bem que tem antibióticos eficazes para Mhyo.. A maioria deles atua como bacteriostáticos e não como bactericidas. Devido à localização deste insidioso micróbio, os bons resultados que alcançaram os antibióticos em condições de laboratório (in vitro) não condizem com os decepcionantes resultados alcançados “in vivo”, as granjas.

Em geral, as medicações antibióticas conseguem aplacar a patologia, mas, com o tempo, o problema volta a ressurgir e, muitas vezes, com cepas mais resistentes às drogas usadas.

4 Como sei que há um problema na minha granja?

Quando se observa: tosse seca não produtiva em animais de mais de 6 semanas, animais com desenvolvimento retardado, ganhos de peso abaixo das tabelas e quadros respiratórios com mortalidades médias e elevadas por outros patógenos. A primeira coisa que nós devemos nos perguntar é se existe um bom programa de controle de Mhyo.. As inspeções regulares de rastro e as necropsias de suínos mortos apontam, também, informação valiosa sobre a incidência de Mhyo., como as lesões pulmonares podem não somente ser muito sugestivas dos patógenos envolvidos, senão que, alem disso, ajudam a quantificar a severidade da lesão. Finalmente, a sorologia pode dar uma idéia da prevalência, do momento da infecção e a origem da mesma. A sorologia não é útil para avaliar a eficácia de um programa vacinal, mas sim, pode ser valiosa na hora de entender melhor a dinâmica de infecção da granja.

5 Por que é importante vacinar contra Mycoplasma hyopnemoniae?

È importante vacinar contra Mycoplasma hyopnemoniae por que é uma bactéria que coloniza facilmente as vias superiores do suíno, causando sérios problemas no mecanismo de defesa das mesmas (aparato mucocilial) e favorecendo a invasão de outros patógenos, especialmente bactérias. Também atinge a eficácia do sistema imunológico mediado por células (Resposta Th1 dos linfócitos B e T) encarregadas as defesa do pulmão. A vacinação contra Mhyo. induz a uma resposta imunológica precoce, que contribui para reduzir o efeito das infecções posteriores por outros patógenos, alem de criar uma “base de memória imunológica” para quando o suíno estiver exposto ao contágio de Mhyo. em sua própria granja. A diferença é que os antibióticos têm um efeito imediato, mas pouco persistente. Enquanto as vacinas têm um efeito menos instantâneo, mas muito mais acumulativo e persistente no tempo.

6 Como escolher o programa de vacinação correto?

Escolher o programa de vacinação correto depende de 3 coisas:

1. Tipo de granja: em granjas de ciclo contínuo (nascimento-venda) onde se criam os leitões desmamados a curta distância das mães, numerosos estudos têm demonstrado que o leitão se infecta muito cedo por contato oronasal com a mãe. O micoplasma se espalha lentamente dentro da granja e os suínos começam a mostrar os sinais clínicos associados a pneumonia micoplásmica em geral a partir de 6 e 12 semanas de idade. Quer dizer, o Micoplasma vai causando dano lentamente ao longo do engorde dos suínos. Diante desta situação, o mais indicado é realizar uma dupla vacinação dos leitões. Um programa de vacinação entre 7 e 10 dias de idade e revacinação 15 a 25 após, fazendo que a vacinação coincida com os trabalhos de manejo principais. Como, por exemplo, a administração de ferro e, mais tarde, e desmame.

2. Programa de reposição: a maioria das granjas de ciclo contínuo fazem auto-reposição, selecionando as substituições dos grupos de engorda ou de grupos de substituição separados desde a desmama, que estão a pouca distância dos animais de engorda. Nesse caso, costuma-se indicar que estas suínas já se infeccionaram e não vale a pena vaciná-las antes de ira para o plantel reprodutivo. Pelo contrário, é recomendável submetê-las a um programa de medicação durante duas semanas para reduzir sua capacidade de transmissão (Ex.: Tiamulina, Lincospectina, CTC, Leucomicina ou outros).

No caso da granja comprar as substituições fora. Por exemplo, uma granja núcleo “ limpa”, o mais conveniente seria lhes dar uma dose vacinal, preferencialmente 4 semanas antes de integrar o plantel ou “a chegada a granja”. Este último caso deve se limitar a granjas sem unidades de quarentena e aclimação (dado que o mais desejado é vaciná-las pelo menos 4 semanas antes do ingresso delas).

3. Nível de ameaça ou Pressão de infecção: a pressão de infecção numa granja de ciclo completo está influenciada por muitos fatores, mas os principais são a qualidade da ventilação e a origem sanitária das substituições genéticas.

A maioria das granjas de ciclo contínuo podemos considerá-las de alta pressão de infecção dado que os leitões estão próximos das mães e a modalidade de construção, em geral, determina problemas de ventilação. Nesse caso, o melhor programa de vacinação é a dose dupla precoce, entre os 7-10 dias de idade e revacinação 15 a 25 dias depois, coincidindo com a desmama.

7 Por que não vacinar as mães?

Muitos estudos já têm provado que o valor da vacinação das mães limita-se a certos cenários de baixa pressão de infecção ou imunidade muito desigual nas mães (sub-populações). As principais limitações deste programa vacinal são que não prevêem a colonização dos leitões pelo Micoplasma e, além disso, não dispara uma resposta de imunidade celular nos leitões. Por estudos recentes, temos aprendido que, em particular para Micoplasma, a resposta imunológica mais efetiva é a imunidade celular e, esta, somente se induz bem quando se injeta a vacina diretamente nos leitões. Os anticorpos (imunidade humoral) que transmitem a mãe via calostro ao leitão, para está enfermidade em particular, não são protetores.

8 O que é melhor, vacinas numa dose ou em duas?

A vacina uma dose foi desenhada para facilitar o manejo em granjas muito grandes, com pouca mão de obra, sistema de múltiplos sítios e boa ventilação. Nestes sistemas, em geral, geram-se cenários de baixa pressão de infecção. Contudo, atualmente, é de consenso que, incluída na maioria de granjas cm estas características (ex: América do Norte) a vacinação de uma dose não tem dado resultado econômicos tão bons quanto as duas doses. Sem dúvida, por que não induz a mesma resposta protetora que a dupla dose precoce.

No caso das duas doses, a 1ª dose permite a apresentação do Micoplasma ao sistema imunológico, para que o reconheça como um agente nocivo e monte uma resposta imunológica protetora. A 2ª dose permite o desenvolvimento total desta resposta e conduz a uma proteção ao longo de todo o engorde dos suínos. Esse efeito se conhece como booster.

9 quais são as vantagens e desvantagens do diluente da vacina (adjuvante)?

Como o Micoplasma é pouco antigênico (induz a uma pobre resposta imunológica), requer a ação de um adjuvante potente, que estimule uma boa resposta imunológica), requer a ação de um adjuvante potente, que estimule uma boa resposta imunológica. Os adjuvantes aquosos com hidróxido de alumínio têm dado pobres resultados com este patógeno na hora de induzir uma boa resposta. Os adjuvantes de emulsão oleosa têm dado uma boa resposta antigênica, contudo têm vários relatórios apontando que eles podem ser muito reativos, mas, em alguns casos, poderiam exacerbar os quadros de enfermidades PCV2 Associadas. Tem uma nova geração de adjuvantes que não são nem aquosos nem oleosos. Exemplo: carbómero-levamisol, que tem uma boa resposta protetora e, ao não incluir óleo, é menos propenso a induzir estes problemas.

10 O que dizer vacinar precocemente, coincidindo com os manejos?

A vacinação precoce têm as grandes vantagens de facilitar o manejo e, ainda disparar uma resposta imunológica protetora antes que o leitão se exponha à alta pressão de infecção que começa a aparecer após as 6 semanas. Ao coincidir a vacinação com os manejos, por exemplo, a desmama não provoca um estresse tão grande quanto os golpes de estresse que atingem os filhotes separados em vários intervalos de prazos pequenos. A idéia é a de reduzir ao mínimo o estresse ao qual submetemos os leitões, já que, em contrário, teriam que se recuperar duas vezes destas situações de alto desgaste energético (força) e de sua correspondente imunodepressão passageira.
 

Fonte: Revista Pork World - N° 43 - Mar/Abr 2008