No momento da compra, o consumidor
observa a cor da carne, da gordura e o marmoreio. Em geral, ele associa
a carne escura com animais velhos e, conseqüentemente dura, e não a
compra (Sainz, 1996).
A cor da carne é definida pelo
conteúdo e a forma da mioglobina, proteína transportadora de oxigênio,
cuja função é transportar e armazenar oxigênio nas células musculares. A
mioglobina contém uma cadeia polipeptídica e um grupo heme.
O ferro contido no grupo heme
liga-se ao oxigênio e assume várias formas que são reversíveis entre si.
A mioglobina pode apresentar-se na forma reduzida (Mb), de coloração
vermelha-púrpura; mioglobina oxigenada ou oximioglobina (O2Mb), de
coloração vermelha-brilhante e mioglobina oxidada ou metamioglobina (MetMb),
de coloração marrom (Sarantopoulos e Pizzinato, 1990).
O ciclo da cor da carne fresca é
dinâmico, permitindo constante interconversão das 3 formas do pigmento,
até que a carne seja aquecida à temperatura de cozimento, estabelecendo
a cor da metamioglobina irreversível. A MetMb desnaturada pode sofrer
oxidação e transforma-se em porfirina oxidada de coloração
verde-amarelada. A carne em ambiente anaeróbio e mantida na forma Mb,
quando exposta ao ar ocorre o “bloom” das carnes frescas, passando para
a forma O2Mb. Esta condição é mantida com altas pressões de oxigênio.
Quando a pressão diminui resulta na forma de MetMb.
A falta de higiene no abate
aumenta a probabilidade de crescimento bacteriano, que tem relação
positiva com a formação de MetMb. Temperatura alta, intensidade e tipo
de luz também são fatores que comprometem a cor da carne. As condições
de abate e susceptibilidade do animal ao estresse acarretam em anomalias
nos valores de pH da carne.
Quando o pH final apresenta alto
valor a cor da carne é escura, denominada então de DFD, tendo aspecto
escuro(dark), firme (firm) e seco (dry). Na situação oposta, com uma
queda brusca do pH, já na primeira hora post mortem, resultará em uma
carne de cor pálida (pale), flácida (soft) e exudativa (exudative),
denominada de PSE.
Segundo Osório et al. (1998), as
características da cor podem der classificadas por:
• Saturação – quantidade de
pigmentos – ligada a fatores ante-mortem (espécie, raça, sexo, idade,
alimentação, etc);
• Matiz – estado químico do
pigmento – ligado a fatores post-mortem (frescura do corte,
transformações tecnológicas, etc.), mesmo que também esteja ligado à
própria biologia do músculo;
• Claridade – estado físico da
carne – especialmente sua superfície. Ligada a pH e outros fatores
post-mortem que determinam o grau de hidratação e o estado das proteínas
musculares.
Outros fatores que influenciam na
cor da carne
Em animais a pasto, as mudanças no
sistema de produção como nutrição, idade de abate sobre tudo as
atividades físicas (Sañudo et al. 1996), em que os músculos são mais
rígidos provocam maior quantidade de mioglobina, aumentando a proporção
de fibras vermelhas entre as fibras brancas. O fato destes animais serem
abatidos com maior naturalidade auxilia na maior concentração de
mioglobina no músculo resultando em uma carne mais escura do que os
animais confinados (Felício, 1999).
Animais abatidos pouco depois do
desmame têm a carne mais pálida em relação aos cordeiros que inferiam
maior quantidade de concentrado (Sañudo et al, 1996). Acredita-se na
pequena quantidade de ferro encontrada no leite, porém, são poucas as
evidências de que animais alimentados com concentrado tenham coloração
diferente daqueles alimentados com volumosos. Entre as raças de
cordeiros e de acordo com o peso para abate e gordura existe uma
diferença que pode resultar em carne mais escura (Vergara, Molina e
Gallego, 1999).
Entre as espécies a quantidade de
mioglobina é diferente, o cavalo, por exemplo, apresenta maior
quantidade. Em seguida os bovinos, ovinos, suínos e aves (Osório et al.,
1998).
Cordeiros que sofreram algum tipo
de estresse antes do abate podem apresentar uma carne mais escura (Apple
et al., 1995). A estimulação elétrica é um processo que pode deixar a
carne mais clara. Com o aumento do tempo de estocagem a formação de
metamioglobina aumenta sem ocorrer reversão, deixando a carne com
coloração escura e pouco apreciada pelo consumidor (Ledward, 1985).
Devido à grande importância da cor
da carne, nos Estados Unidos e Canadá ela é um parâmetro utilizado na
tipificação da carcaça, seguindo o Quality Grade (canhos e dias, 1993).
Na Europa, a classificação Mediterraneum ou Bis Grid (EC Reg. 2137/92),
de carcaça ovina baseia-se na cor da carne (3 classes) e na quantidade
de gordura (4 classes) (Rubino et al., 1999).
Fonte: Sarita Bonagurio Revista Anuário
Brasileiro de Caprinos & Ovinos 2008
